O último e mais controverso lançamento da Apple, o iPad, já desperta opiniões das mais diversas entre consumidores no Brasil e no mundo.
Há quem considere o produto pouco útil e supérfluo. Muitos dizem que os principais motivos do sucesso comercial do iPad são o fato de ser bonito e ser uma novidade bem divulgada pela Apple, já que para ler livros eletrônicos já existia antes o Kindle, produto da Amazon, que custa aproximadamente metade do preço e promete uma leitura mais agradável aos olhos com sua tecnologia 'E-paper' que reproduz a sensação visual de um impresso.
Mas, para mais de 300 milhões de pessoas, o iPad veio como uma ótima notícia, não por seu design ou por ser novidade, mas sim por sua usabilidade.
Trezentos milhões é o número estimado de pessoas que têm algum tipo de deficiência visual em todo o mundo e que, até o lançamento do iPad, não tinham acesso às publicações eletrônicas, já que o Kindle não oferece recursos de leitura em voz alta dos menus de navegação do sistema, necessários para que os usuários possam escolher e comprar as publicações online ou mesmo ativar o recurso de leitura em voz alta dos textos.
Para essas pessoas, os leitores eletrônicos como o Kindle poderiam representar uma oportunidade única de consumir literatura, notícias e outros conteúdos em um aparelho mais portátil e mais barato do que um computador ou notebook.
Porém esses usuários somente puderam usufruir do novo conceito de leitor eletrônico de forma plena com a chegada do produto da Apple que traz de fábrica um recurso que lê em voz alta tanto os livros, revistas e jornais quanto todos os menus de navegação.
A Federação Nacional dos Cegos, nos Estados Unidos, já se posicionou claramente quanto a este assunto, entrando oficialmente com um processo contra a Universidade Estadual do Arizona por discriminação e pela indiferença quanto aos direitos dos cegos naquele país, já que o Kindle foi escolhido para ser disponibilizado para os estudantes da universidade.
A organização também elogiou publicamente a iniciativa da Apple em incluir o recurso de leitura em voz alta para os menus e textos do iPad, alegando que agora os cegos terão a mesma oportunidade que as pessoas que enxergam normalmente de usufruir das vantagens do leitor eletrônico.
Não resta dúvida de qual produto será escolhido por cegos e pessoas com baixa visão que desejam ter acesso a publicações eletrônicas, mesmo com os preços mais altos praticados pela empresa fabricante.
Fernando Oliveira
Especialista em Usabilidade
© 2010, Mercedes Sanchez Usabilidade. Todos os direitos reservados.
Telefone: +55 11 4702-8169
Redes sociais