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O caso é usabilidade - 17/05/2007

Artigo publicado no portal JumpExec conta 2 casos de produtos criados e lançados com foco na facilidade de uso.


Caso 1

No começo de maio, a Xerox anunciou um programa que promete tornar coisa do passado esses editores de imagem super complicados que existem hoje e que a maioria dos mortais não consegue usar. Os pesquisadores da Xerox anunciaram lá nos EUA que estão trabalhando no protótipo de um editor de imagens que vai ser acessível a um número muito maior de pessoas, porque não vai exigir que a gente conheça nenhum desses comandos difíceis dos programas de edição de imagens.

Por exemplo: se você quiser mudar a cor do céu da sua foto para um azul mais escuro, bastará digitar ou falar algo como “eu quero um céu azul mais escuro”, e o programa vai entender e fazer exatamente o que você pediu.

O conceito básico que norteia o projeto é: a máquina e os programas devem entender o homem, e não o contrário, como normalmente acontece. As pessoas usam linguagem humana para definir o que querem e o programa deve se encarregar de transformar a linguagem humana em códigos numéricos que as máquinas entendem (vermelho, verde, azul, brilho, contraste etc).

Essa tecnologia é toda baseada no reconhecimento da linguagem humana. O protótipo já está reconhecendo 1.800 palavras que as pessoas usam normalmente, como por exemplo: cor de pele, azul céu, mais claro, mais escuro, mais brilhante etc.

Quantas vezes você quis deixar uma foto mais escura, mais clara, ou precisou corrigir um defeito de iluminação naquela imagem que é o centro da sua apresentação e não soube como fazer isso no programa de edição de imagens que tem no seu computador?

Nas empresas pequenas isso é uma bela dor de cabeça porque, além de atrasar o trabalho, ainda traz aumento de gastos - elas se vêem obrigadas a contratar serviços ou profissionais especializados. Nos editores de imagens que existem hoje, para reforçar o amarelo, por exemplo, é preciso balancear as quantidades de vermelho, verde e azul e ajustar brilho e contraste, o que não é nada simples nem intuitivo para um leigo. Nesse programa novo, você só vai precisar dizer ou escrever: deixe o amarelo mais forte.

Por outro lado, atualmente os consumidores têm cada vez mais acesso a câmeras fotográficas digitais, inclusive nos celulares, e freqüentemente gostariam de poder editar suas fotos para melhorar a impressão, ou para fazer um calendário, ou quem sabe um cartão de Natal ou ainda um convite para aniversário. A maioria acaba não fazendo nada disso, porque é uma missão quase impossível lidar com os programas de edição de imagem. A teoria por trás desse programa novo, milhões de vezes já comprovada na prática, é bem simples: Quanto mais fácil de usar for a tecnologia, mais pessoas vão usar.


Caso 2

Outra empresa americana, a Pure Digital, especializada em “criar tecnologia de imagem simples e de baixo custo para as massas”, acaba de lançar no mercado uma nova câmera de vídeo que eles garantem ser muito mais fácil de operar do que os outros modelos já lançados. É a “The Flip”, uma filmadora que já vem sendo classificada como a filmadora semi-descartável do século XXI (talvez com algum exagero, pois a versão mais baratinha custa hoje 100 dólares).

A pequena filmadora não usa cartão de memória nem bateria. Funciona com pilha comum. Tem um modelo para 30 minutos de gravação e outro para 1 hora. Já vem com um conector USB embutido que você abre e conecta direto no computador. Aí ela pergunta o que você quer fazer: editar, salvar ou mandar para o YouTube. Para quem quer ter seus vídeos no YouTube e não sabe nem quer saber como fazer o upload, essa câmera pode ser uma mão na roda. A qualidade da imagem, dizem, não é nenhuma maravilha, mas é boa para aqueles que estão começando a entrar no mundo do vídeo online e não querem ter dor de cabeça nem com as câmeras nem com os sites. Um comentarista da CNN disse que ela deve atrair especialmente pais e mães que querem gravar as estripulias dos pimpolhos e colocar no YouTube para os amigos verem, tudo muito simples e fácil.


Usabilidade é o diferencial

Isto aqui não é uma propaganda da câmera de vídeo nem da Xerox, nem é para ficar discutindo aspectos técnicos dos produtos citados, é apenas para chamar a sua atenção para a usabilidade. Veja como algumas empresas estão mesmo preocupadas em tornar a tecnologia mais fácil de usar.

Produtos e sites têm que fazer aquilo que o consumidor quer, de forma rápida e simples. Ninguém (ou quase ninguém) quer perder tempo com traquitanas tecnológicas. As pessoas querem sim todo o benefício que elas podem trazer, mas sem complicação nem dor de cabeça. As empresas que já perceberam isso estão saindo na frente dos concorrentes.

Mercedes Sanchez
Diretora da Mercedes Sanchez Usabilidade

Este artigo foi publicado no portal JumpExec.

Fontes:
“Color Editing for Dummies” - Revista do MIT (em inglês)
Hotsite da câmera “The Filp” (em inglês)

Os controles dos softwares de edição de imagem geralmente são complexos, voltados para profissionais da área.

"The Flip" é uma filmadora simples que facilita na hora de filmar e também na hora de compartilhar os vídeos.

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