Internet móvel cresce mas não satisfaz usuários - 16/06/2008
A reportagem "Internet móvel no Brasil ultrapassa índice de países desenvolvidos, mas sistema não satisfaz usuários" foi publicada na revista eletrônica semanal TIC Brasil, somente para assinantes, focada na área de Tecnologia da Informação e Convergência Digital.
A diretora da Mercedes Sanchez, consultoria em usabilidade e Experiência do Usuário, falou sobre as dificuldades que os usuários de internet pelo celular enfrentam:
Mercedes Sanchez, consultora e especialista em usabilidade, afirma que, mesmo que o acesso à internet banda larga móvel tenha aumentado, o usuário não está satisfeito com os serviços. “Segundo a IDC, o Brasil tem 8,1 milhões de usuários de banda larga. Desses, 9% acessaram a internet banda larga pelo celular, ou seja, cerca de 730 mil usuários. A pesquisa não fornece dados sobre o que esses usuários fazem na internet móvel, se vão a um site realizar uma atividade ou se apenas entram na internet pelo celular para baixar um ringtone. O fato é que aqueles que precisam navegar em um site pelo celular para realizar uma atividade específica não vêm tendo uma boa experiência”.
Sanchez explica os motivos da insatisfação:
- “o aparelho em si é difícil de usar e muitos usuários não conseguem nem realizar operações básicas, como adicionar um telefone na agenda;
- muitos usuários acessam a internet sem querer, porque foram induzidos ao erro por um design ruim da interface móvel, que não é clara e não fala a língua do usuário;
- a maioria dos sites disponíveis no celular não foi construída para o celular, foi adaptada da versão para a internet no computador, e é muito diferente navegar em um site sentado na frente do computador e navegar em um site com o celular na mão”.
“Uma pesquisa realizada pela empresa Hostway, na Inglaterra, em 2006, mostrou que os ingleses usavam muito pouco a internet pelo celular e detectou as principais razões para isso: frustração por causa de páginas que demoram para carregar (38%), dificuldades em navegar nos sites pelo celular (27%) e sites não disponíveis pelo celular (25%)”, aponta Mercedes Sanchez.
“Empresas que querem oferecer seus serviços e produtos através de sites pelo celular e que até bem pouco tempo estavam somente preocupadas em fazer as aplicações funcionarem - o que faz sentido, porque se elas não funcionarem, de nada adianta serem boas ou más aplicações - agora começam a se preocupar com a usabilidade e a experiência do usuário. Se as aplicações móveis não forem fáceis de usar não serão usadas e o retorno do investimento feito para criá-las e desenvolvê-las ficará muito abaixo do esperado”, acrescenta.
Para a especialista em usabilidade, tecnicamente, as aplicações móveis têm evoluído bastante, mas no que diz respeito à usabilidade ainda há um longo caminho a percorrer. “De nada adianta oferecer internet banda larga pelo celular para quem quer que seja, na cidade ou no interior, onde não há banda larga fixa, se os sites e as aplicações desenvolvidos para o celular não forem fáceis de usar. De que adianta poder acessar o site do banco pelo celular se ele não permite que o usuário acesse facilmente o seu saldo e que ele consiga pagar uma conta com rapidez e sem complicação?”, conclui.
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