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O consumidor online e a publicidade - 13/03/2007

Às vésperas do Dia do Consumidor, 15 de março, a empresa de pesquisa norte-americana Forrester Research divulgou um estudo que chamou minha atenção.

Segundo o estudo, os anunciantes vêem suas agências de propaganda tradicionais como as menos habilitadas entre seus fornecedores quando precisam de serviços de marketing online. Hoje, os anunciantes estão preferindo as agências especializadas em criação de web sites porque acreditam que elas teriam expertise em criação para o mundo online, coisa que as agências tradicionais ainda não teriam alcançado.

Ao ler as notícias sobre esse estudo, logo me vieram à mente os milhares de sites que mais parecem outdoors virtuais, com propaganda para todos os lados, animações mil, figuras pulando, menus se movendo... Quem será que faz esses sites assim: as agências tradicionais ou as agências especializadas no mundo online?

O problema é que anunciantes, agências tradicionais e agências especializadas pecam por não oferecer aquilo que o consumidor online quer e precisa. Falta conhecer de verdade quem é esse novo consumidor e dar a ele o que ele espera receber.

O consumidor do mundo online não quer ser bombardeado por propaganda quando ele entra num site em busca de um produto ou de uma simples informação. E o que a maioria dos sites faz? Enche a home de propaganda, de forma escandalosa.

O consumidor do mundo online quer o controle em suas mãos e odeia popups que pulam inesperadamente na sua tela. É só o popup começar a aparecer e o consumidor já fecha, nem espera para ver o que tem nele. E ainda tem site que coloca informação importante em popups que ninguém nunca vai ler.

Banner no topo do site, só se for para pegar aqueles que estão dando os primeiros passos na Internet. E mesmo eles, em poucos dias, passarão a fazer parte da massa de milhões de consumidores que sofrem da chamada “cegueira dos banners”. É um fenômeno psicológico em que o cérebro humano aprende pela repetição e bloqueia a visão das áreas da tela que não são de interesse do consumidor.

Anunciantes e agências precisam mudar sua forma de pensar e de agir. O poder está cada vez mais nas mãos - e olhos - desse novo consumidor, que não aceita imposições. As empresas e suas agências têm que trabalhar para descobrir como passar sua mensagem para esse consumidor. Na força bruta, não vai. As técnicas tradicionais de publicidade e marketing não funcionam no mundo online.

O consumidor não quer perder tempo, quer a informação na cara dele, na língua que ele está acostumado a falar, sem complicação nem enrolação. Qualquer publicidade que se coloque entre o consumidor e o que ele está procurando está fadada ao fracasso.

Escute um pouco do que esse novo consumidor tem a dizer no blog “Tá difícil":

“Depois de um tempão procurando, desisti. Só tem propaganda nesse site. Não achei nenhuma informação que eu precisava.”

“Afinal, tem ou não tem o produto para eu comprar?”

“99,9% das pessoas que usam o caixa não têm o mínimo interesse em comprar nada daquilo, mas todas elas têm que driblar essa tela toda vez que vão ao caixa eletrônico. Haja paciência… e a fila só aumentando…”

“Tá difícil… aliás, tá impossível achar um formulário de contato no site...”


Mercedes Sanchez
Diretora da Mercedes Sanchez Usabilidade


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