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Mesmo o que já é bom de usar pode ficar ainda melhor - 26/07/2010

As pessoas utilizam no dia-a-dia diversos objetos de forma quase natural, sem necessidade de informações prévias. Uma tesoura, por exemplo. Você pega e sai usando, cortando. Não precisa de manual para saber como usar uma tesoura e, contanto que ela esteja cortando bem, poucos se preocuparão com o objeto em si, ou mesmo com a maneira como realizam a tarefa.

Mas até no uso de um objeto tão simples, numa situação de uso banal, surgem problemas de usabilidade. O uso de uma tesoura por um tempo prolongado pode provocar dores nos dedos, e isso pode estar relacionado a um problema na criação do objeto.

Pensando nisso, o designer Spencer Nugent criou uma nova tesoura, bem diferente das que a gente conhece, mas com avanços importantes, segundo ele. Neste projeto conceitual, o usuário utiliza todos os dedos da mão e não apenas o polegar e o indicador, o que seria ideal para recortar materiais resistentes e ajudaria a reduzir ou evitar o problema da dor nos dedos por uso prolongado.

Outra vantagem dessa “nova” tesoura, segundo o designer, é que o movimento ao usar o objeto é mais natural. E mais: tanto as pessoas destras quanto as canhotas terão a mesma boa experiência de uso.

Imagem de um projeto conceitual de uma tesoura Projeto de uma tesoura do designer Spencer Nugent. Imagem: coroflot.com

Outro objeto que usamos rotineiramente é a torneira, quase sempre sem problemas. Mas ao lavar panelas, numa pia pequena, muitas vezes é preciso fazer malabarismos constantes para colocá-las debaixo da água, sem ficar tropeçando o tempo todo na torneira.

Pensando em ajudar a resolver esse e outros problemas, a indústria Kohler projetou uma torneira articulável que se mexe para todo lado e pode ajudar na hora de lavar as panelas.

Imagem de uma torneira articulável Torneira articulável da Kohler. Imagem: bornrich.org

Existem diversos projetos que seguem essa linha de pensamento, ou seja, a do contexto de uso dos produtos.

A partir da observação cotidiana do uso real de um produto, em diferentes situações e ambientes, e por pessoas distintas, é possível detectar não apenas problemas, mas principalmente oportunidades de inovação.

É por isso que muitos fabricantes de produtos e aparelhos vêm realizando pesquisas contextuais e estudos etnográficos com seus potenciais usuários, para observar como é possível melhorar a experiência das pessoas no uso desses produtos no seu cotidiano, de maneiras que, muitas vezes, nem o usuário imaginava que poderia ocorrer.

A questão não é apenas lançar mais um produto funcional, mas sim um produto que trará vantagem competitiva para a empresa, ao oferecer aos usuários melhorias e funcionalidades novas que só esse tipo de estudo pode produzir.


Diogo Degaki
Especialista em Usabilidade

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